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'Meu rosto ficou com duas feridas abertas', diz paciente após procedimento estético com dentista indiciada no ES

Pacientes relatam problemas após procedimento estético com dentista Mariana Laranja, indiciada por lesão corporal no Espírito Santo TV Gazeta Pacientes que ...

'Meu rosto ficou com duas feridas abertas', diz paciente após procedimento estético com dentista indiciada no ES
'Meu rosto ficou com duas feridas abertas', diz paciente após procedimento estético com dentista indiciada no ES (Foto: Reprodução)

Pacientes relatam problemas após procedimento estético com dentista Mariana Laranja, indiciada por lesão corporal no Espírito Santo TV Gazeta Pacientes que denunciaram complicações devido a procedimentos de "mini lifting" feitos em uma clínica de Vila Velha, na Grande Vitória, com os dentistas Mariana Laranja e o sobrinho Nathan Laranja, dizem ter enfrentado dores intensas, abertura de pontos e até infecções no rosto após a cirurgia. Em depoimento à policia e em entrevista à TV Gazeta, elas relataram processos semelhantes tanto no pré-operatório, com ausência de exames de risco-cirúrgico e falta de esclarecimentos sobre possíveis problemas, como orientações contraditórias durante a recuperação e dificuldade de contato com a dentista após os procedimentos. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp “Não me foi perguntado se eu tinha algum problema de coagulação ou diabetes, nada. Nem se eu já tinha feito alguma cirurgia antes”, contou Júlia (nome fictício dado a uma das três pacientes ouvidas no inquérito policial, que não quis se identificar). A investigação da Polícia Civil resultou no indiciamento dos dois dentistas por três crimes de lesão corporal culposa, em concurso material, um relacionado a cada vítima citada no inquérito. Para preservar as identidades, elas serão identificadas na reportagem pelos nomes fictícios Ana, Renata e Júlia. 🔎 O mini lifting facial é um procedimento cirúrgico de rejuvenescimento que envolve incisões na face, descolamento da pele e reposicionamento de tecidos faciais. Dentistas são indiciados por lesão corporal após procedimento irregular em pacientes LEIA TAMBÉM: VÍDEO: Bebê nasce com dois dentes e passa por cirurgia aos 6 dias de vida em Vitória NA UTI: Médico pega bactéria no cérebro após infecção em dente e fica três meses internado CRIME : Dentista e veterinário viram réus por morte de morador de rua no ES Todas foram atendidas em dezembro de 2025, período em que o Conselho Federal de Odontologia (CFO) ainda proibia dentistas de realizarem mini lifting facial. A autorização só passou a existir em março de 2026, mediante habilitação específica. Segundo o Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES), atualmente nenhum dentista no Espírito Santo possui autorização para realizar o procedimento. Além do inquérito da Polícia Civil, o CRO-ES abriu 15 procedimentos administrativos contra Mariana. A defesa de Mariana Laranja afirmou que a profissional possui "atuação consolidada e registro regular como especialista em Harmonização Orofacial". Sobre a investigação criminal, destacou que o indiciamento é apenas uma etapa inicial e que o Ministério Público solicitou perícias técnicas complementares. Os dois seguem atuando na clínica. Confira o posicionamento na íntegra abaixo. Três pacientes relataram à polícia deformidades, infecções graves e complicações permanentes após mini lifting facial realizado pela dentista Mariana Laranja TV Gazeta "Eu não apresentei nem exame de sangue" A paciente Ana contou que decidiu procurar um procedimento estético após um período difícil emocionalmente. "Eu passei o ano de 2025 muito cansada. Eu perdi meus pais, me sentia com o rosto derretido, envelhecida. Procurei algo que tirasse esse ar de cansada. Eu me debrucei nas redes sociais e vi vários profissionais ofertando lifting facial, botox, preenchimentos. A única profissional que me deu um valor compatível com o meu orçamento foi a doutora Mariana", disse. Segundo Ana, o procedimento foi apresentado como algo simples e de recuperação rápida. Ela também afirmou que não passou por avaliação clínica antes da cirurgia. "Ela me informou que seria um procedimento indolor, rápido e de fácil recuperação. Foi dentro de um consultório odontológico, numa cadeira de dentista. Não me foi pedido nenhum exame prévio para fazer essa pequena cirurgia, como ela apresentava. Eu não apresentei exame de sangue, não preenchi ficha de anamnese para saber se eu tinha algum histórico de diabetes ou de doença crônica", lembrou. Dias depois da cirurgia, ela percebeu que os pontos haviam aberto. Segundo Ana, a recuperação levou meses. "Me bateu um desespero. Meu rosto ficou com duas moedas abertas debaixo da orelha. Quando relatei o problema, ela usou as palavras: 'O corpo é incrível, você vai se recuperar'. Eu demorei quatro meses para a ferida fechar por completo e fiquei com duas cicatrizes bastante alargadas no rosto", contou. Mariana Barros Laranja Roeder, de 44 anos, e o sobrinho e sócio Nathan Laranja Roeder Holz, de 25, foram indiciados por lesão corporal culposa após procedimentos de mini lifting facial realizados em clínica de Vila Velha, Espírito Santo Reprodução/Rede social Foi à clínica para consulta e saiu com o procedimento feito A paciente Renata contou que procurou a clínica após ver publicações sobre mini lifting facial na rede social. Ela foi ao local inicialmente apenas para uma consulta, mas acabou realizando o procedimento no mesmo dia. "Ela falou que tinha horário para fazer naquele dia mesmo e eu fiz. Eu fui para lá porque era uma coisa menos invasiva, com anestesia local. Achei que fazia rapidinho e ia embora". Segundo a paciente, os problemas apareceram após a retirada dos pontos, às vésperas do Natal. "A moça falou: 'Tá um pouquinho aberto'. Quando ela saiu para chamar a doutora, eu peguei o telefone e tirei uma foto. Eu estava com uma boca na cara. Duas! Eu não tive Natal com a minha família, não tive Ano-Novo, não tive férias. Eu tinha viagem marcada e precisei cancelar tudo", disse. Ela contou ainda que encontrou outras mulheres com lesões semelhantes enquanto fazia tratamento em uma clínica especializada. "Eu encontrava pessoas na recepção com os mesmos curativos que eu no rosto. Aí perguntavam: 'Foi também com a doutora Mariana?'. E eu falava: 'Foi'", lembrou. Propostas de acordo As pacientes afirmaram que, após relatarem as complicações, receberam propostas de acordo para encerrar o caso. Segundo os relatos, houve oferta de R$ 5 mil. As três também receberam uma notificação extrajudicial alegando que o procedimento havia sido bem-sucedido. Pacientes da dentista Mariana Laranja afirmaram que, após relatarem as complicações, receberam propostas de acordo para encerrar o caso. Segundo os relatos, houve oferta de R$ 5 mil. Espírito Santo TV Gazeta "Eu queria o meu dinheiro de volta e uma cirurgia reparadora com outro profissional para tirar a cicatriz. Ela ofereceu R$ 5 mil como acordo, um pouco mais da metade do que eu paguei pelo procedimento. Mas me parece contraditório dizer que teve êxito e, ao mesmo tempo, oferecer dinheiro", afirmou Ana. Ana e renata foram encaminhadas pela dentista para uma clínica de tratamento de feridas, foi lá que elas se conheceram e resolveram procurar a polícia. Um inquérito foi aberto e, ao final da investigação, a polícia indiciou Mariana e Nathan Laranja por lesão corporal culposa. O entendimento é de que eles agiram com "imperícia e imprudência" nos casos investigados ao realizar procedimentos irregulares, com falta de habilitação específica e atuação além dos limites legais. Novos relatos Arquiteta de 65 anos relatou cicatrizes e um dignóstico de olho seco após procedimentos com a dentista Mariana Laranja Arquivo pessoal Depois que a reportagem sobre o indiciamento dos dentistas foi veiculada nesta terça-feira (26), outros pacientes procuraram a TV Gazeta e o g1 para relatar complicações após procedimentos realizados no Instituto Laranja, em Vila Velha. Um dos relatos é o de uma arquiteta de 65 anos, que realizou um mini lifting facial em outubro de 2025 após acompanhar os resultados divulgados pela dentista nas redes sociais. "Ela me passou uma impressão muito boa. É uma pessoa muito educada, né? E eu me senti segura para fazer essa cirurgia. Ela me perguntou o que mais me incomodava, eu falei do 'bigode chinês'. Aí ela falou que teria esse mini lifting que iria melhorar bastante. Ela tem até um um slogan que ela fala: 'jovens jovem jovem'", afirmou. Segundo a arquiteta, nos primeiros dias o procedimento aparentava ter dado certo, mas o efeito foi desaparecendo após as primeiras semanas. A paciente relatou ainda que decidiu fazer também uma blefaroplastia na clínica, cerca de 20 dias depois, mas ficou com cicatrizes permanentes ao redor dos olhos. "A cirurgia não tirou todo o excesso de pele, foi como se ela tivesse levantado, tirado a pele, mas dos dois lados dos olhos continuou como estava, com excesso. Uma semana depois eu comecei a sentir uma dor, como se fosse uma pressão, e aí eu fiquei com medo. Vou ter que usar para sempre um colírio, pelo menos umas três vezes por dia, já que fiquei com olho seco?", contou. Arquiteta de 65 anos relatou cicatrizes e um dignóstico de olho seco após procedimentos com a dentista Mariana Laranja Arquivo pessoal Os dois procedimentos custaram R$ 15 mil. Ao procurar a dentista para reclamar dos resultados, a paciente recebeu como proposta a realização de novos procedimentos estéticos, em vez de reembolso. "E mesmo se ela me oferecesse para refazer a cirurgia, eu já não confiaria mais, né? Porque eu queria mesmo receber meu dinheiro de volta. A advogada elaborou um documento e enviou para ela. Ela não respondeu. Então, entramos com um processo judicial por danos morais físicos", contou. Médicos relatam aumento de pacientes com complicações Cirurgiões plásticos ouvidos pela reportagem afirmam que o número de pacientes buscando reparação após procedimentos feitos por não médicos tem aumentado. O médico Ariosto Santos, que atua há 43 anos na área, afirmou que a situação se tornou frequente. "Eu já atendi muitos pacientes que chegavam para mim dessa forma, querendo assistência por algum tipo de intercorrências nesses atos clandestinos. Porém, hoje, particularmente, minhas secretárias são orientadas para não atender esse tipo de paciente", contou. Segundo ele, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) criaram orientações específicas para médicos que recebem pacientes nessas condições. Entre as recomendações estão denunciar o profissional ao conselho de classe correspondente, registrar boletim de ocorrência, acionar o Ministério Público e comunicar a Vigilância Sanitária. Instituto Laranja, onde atuam Mariana e Nathan Laranja, fica na Praia da Costa, em Vila Velha, Espírito Santo TV Gazeta O médico também alertou sobre os riscos da influência das redes sociais na escolha de procedimentos estéticos. "Hoje, está todo mundo fazendo qualquer tipo de publicidade e isso seduz as pessoas. Número de seguidores nunca foi referência para escolher profissional. Resultado de pré e pós-operatório também não é referência", disse. Segundo Ariosto, imagens publicadas nas redes sociais podem induzir pacientes ao erro. "Você já viu algum resultado feio apresentado em rede social? Não vai ter nunca. É uma forma de seduzir e conquistar a paciente". Entenda o caso A Polícia Civil concluiu, em abril de 2026, o inquérito que investigou complicações sofridas por três pacientes após procedimentos de "mini lifting facial" realizados na clínica da dentista Mariana Barros Laranja Roeder, em Vila Velha. Mariana e o sobrinho e sócio dela, Nathan Laranja Roeder Holz, foram indiciados por três crimes de lesão corporal culposa, quando não há intenção de causar dano. Segundo a investigação, os dois agiram com "imperícia e imprudência" ao realizar cirurgias invasivas sem exames pré-operatórios, avaliação de risco cirúrgico e estrutura adequada para lidar com complicações. O relatório também aponta que, na época das cirurgias, a clínica funcionava com o alvará sanitário vencido havia três meses. A Vigilância Sanitária de Vila Velha informou que o estabelecimento possui processo de renovação de licença sanitária em análise e declarou que ainda não é possível afirmar quais procedimentos estão autorizados atualmente no local, incluindo o “mini lifting facial”. O Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) informou que, até maio de 2026, nenhum dentista no estado havia concluído o registro necessário para atuar na especialidade de cirurgia estética da face, criada neste ano pelo Conselho Federal de Odontologia. O que diz a defesa da dentista Instituto Laranja, onde atuam Mariana e Nathan Laranja, fica na Praia da Costa, em Vila Velha, Espírito Santo TV Gazeta Confira na íntegra o posicionamento enviado pelo escritório Jordan Neves Advogados, que representa os dentistas Mariana e Nathan Laranja: "O Instituto Laranja, por meio de sua responsável técnica Dra. Mariana Barros Laranja Roeder, vem a público prestar esclarecimentos acerca das informações recentemente divulgadas envolvendo procedimentos estéticos faciais realizados na clínica. Inicialmente, é importante esclarecer que a Dra. Mariana é cirurgiã-dentista regularmente inscrita no Conselho Regional de Odontologia, com formação, especializações e atuação consolidada na área de Harmonização Orofacial, exercendo suas atividades há anos de forma pública, técnica e profissional, inclusive com participação em cursos, mentorias e capacitações nacionais e internacionais. Os procedimentos mencionados nas recentes divulgações ocorreram dentro de contexto profissional regularmente exercido, em cenário normativo que, à época dos fatos, encontrava-se em ampla discussão técnica e jurídica em todo o país quanto à atuação odontológica em procedimentos estéticos faciais. Importante destacar que o próprio Conselho Federal de Odontologia editou posteriormente a Resolução CFO nº 286/2026, reconhecendo formalmente a Cirurgia Estética Orofacial como especialidade odontológica, inclusive contemplando procedimentos estéticos faciais específicos dentro da atuação do cirurgião-dentista habilitado. Também existem precedentes judiciais relevantes questionando limitações anteriormente impostas por normas administrativas elacionadas ao tema, o que evidencia a existência de debate jurídico e regulatório legítimo sobre a matéria. Esclarece-se ainda que o indiciamento mencionado representa etapa inicial investigativa, não equivalendo a condenação, responsabilização definitiva ou conclusão pericial final acerca dos fatos. Inclusive, o próprio Ministério Público requereu complementação das investigações e realização de laudos periciais técnicos antes de qualquer conclusão definitiva. Como ocorre em qualquer procedimento estético ou cirúrgico, existem intercorrências clínicas inerentes à resposta biológica individual de cada paciente, circunstâncias amplamente conhecidas na literatura técnica e previamente esclarecidas nos documentos de consentimento apresentados aos pacientes. A Dra. Mariana sempre permaneceu à disposição para acompanhamento e suporte pós-procedimento, dentro dos limites técnicos e clínicos aplicáveis, reiterando seu compromisso com a ética, responsabilidade profissional, transparência e respeito aos pacientes. O Instituto Laranja reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal, esclarecendo que toda defesa técnica e jurídica será apresentada integralmente nas vias apropriadas e perante as autoridades competentes. A complexidade técnica, normativa e pericial envolvida no caso exige cautela na divulgação de informações ainda submetidas à análise das autoridades responsáveis. O Instituto Laranja confia que qualquer divulgação pública observará os princípios da responsabilidade jornalística, imparcialidade, contextualização adequada dos fatos e presunção de inocência, evitando conclusões precipitadas ou interpretações descontextualizadas". Ministério Público O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informou que acompanha com atenção os fatos apurados no inquérito policial referente ao caso. Ministério Público do Espírito Santo (MPES) TV Gazeta Após análise inicial dos autos, o procedimento foi encaminhado à Polícia Civil para a realização de diligências complementares consideradas necessárias ao esclarecimento dos fatos. "O Ministério Público seguirá acompanhando o caso e adotará as providências cabíveis após a conclusão das diligências e a análise dos elementos reunidos na investigação. Por se tratar de procedimento que tramita sob sigilo judicial, não é possível divulgar outras informações neste momento", disse em nota. 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